Pretensão

Estranho é você achar que já conhece uma pessoa só por saber algumas preferências dela.  Sem conversar por dias, semanas, horas a fio a fim de descobrir. Só de olhar e imaginar o que tem por trás de seus doces olhos. Será o encontro das almas que já se conhecem?
Tenho medo disso. E se eu estiver vendo coisa onde não tem? Provavelmente vou quebrar a cara, o coração, o copo de café que fica no canto da mesa do escritório. Mas… E se eu souber te ler? A gente vira história? Aliás, esse é nosso assunto favorito. Ah, ia ser bom. O coração ia continuar inteiro, eu não ia mais precisar do copo de café pra ficar acordada no escritório, porque eu não ia mais ter insônia à noite como venho tendo. Eu ia descortinar o que imagino sobre esses seus olhos e se é verdade que a gente já se conhece de outros tempos. De infância, de sonhos, de outro mundo. Porque isso não é normal.
“Eu sei que você sabe quase sem querer, que vejo o mesmo que você”, porque essa é a nossa música e eu quero o mesmo que você. – Ah, será?! Possível mesmo é ser uma paixonite que faz o mundo virar de cabeça pra baixo e depois a gente ter que dar um jeito de voltar à normalidade, à sobriedade, tranquilidade, sem que ninguém perceba que passamos por um furacão, tempestades de ilusões.
Mas olha, você é meu sonho bom. E vai ser por um tempo, mesmo que não vire realidade. Mesmo que nossos caminhos não se cruzem mais. Vai ficar esse ar de mar calmo, nuvem castelo, céu azul. Vai existir lembrança.
 “Eu sou do seu jeito, a cor do seu rosto eu já sei de cor”, assim como a Clarice quando escreveu essa música para o Gregório. E será que sou tão pretensiosa? Ou estou certa que a sua pretensão é a minha?
Crônica, por Joyce Costa.

Escrever bem, que mal tem?


E eu dizia esses dias, para mim mesma: O pior é que só consigo escrever textos legais quando eu estou triste.
E volta e meia: O melhor, é que foi esse bem que você me fez. Foi embora, mas deixou saudades, acompanhada de melancolia e palavras. Palavras que vão se transformando aos poucos e dando significado aos meus sentimentos, criando forma de pássaros: como quem quer ser livre aprisionado pelo infinito céu. Acredite: uma das poucas coisas que você fez por mim. E foi bom.
Essas palavras juntas aqui não surgem do nada ou de uma mágica como um coelho que surge da cartola. Eu preciso estar no fundo do poço pra poder enxerga-las, preciso mesmo! E depois, elas ganham vida, ao ponto de voar.
Dizem por aí, que pra esquecer um amor é apenas transformando-o em literatura. E isso que faço agora com você. É a única forma de tê-lo perto, mesmo que distante. Essas letras costuradas é a única maneira de materializá-lo. Mesmo que sentimento seja abstrato.
Não estou dizendo que foi bom assim você ter me deixado. Eu trocaria as palavras escritas bonitinhas em ordem por mais tempo ao seu lado, talvez pela vida ao seu lado, mas já que você decidiu assim, pelo menos deixou esse bem. É um bem muito precioso, ninguém pode tirá-lo de mim. Como ninguém foi capaz de deixa-lo aqui a não ser você.
Que mal tem? Ficar alguns dias tristes pra escrever bem? Que mal tem se meu psicológico não anda bem, anda estranho. De tal forma que começo a escrever ao contrário? Vai ver o avesso é o lado certo. Ou a gente não tem jeito, nem lado. Só dá errado.
E agora? Isso aqui acabou ficando sem sentido pra um final de prosa, de texto.  Aliás, por que tudo precisa fazer sentido? Não precisamos ser tão pretensiosos.
O que eu quero dizer é o bem que você me fez, em ir embora, me deixar pra trás, me deixar menor, me deixar o pó – como diz Clarice Falcão em uma de suas canções – mas me deixar lúcida, ao ponto de escrever bem; em me deixar esse bem. Que mal tem?
Em resumo, mesmo assim, eu sumo.

Joyce Costa

Sem Despertador

Eu to cansada, confesso! Eu poderia ter ido dormir à tarde naquela sexta-feira que tinha cara de segunda. Era melhor eu ter dormido do que me preparar toda linda pra ouvir suas palavras que está de saco cheio de mim e que vai embora.
Eu poderia ter dormido e teria sido bem mais agradável. Nos meus sonhos alguém precisa de mim. Eu queria que você precisasse. Precisar de alguém é tão lindo… É como sair da ignorância de que pode fazer tudo sozinho. O pior é que quem ficou nessa ignorância agora fui eu. Ignorância, arrogância, frieza ou amor próprio, chame do que quiser.
Ainda bem que agora eu to mais crescida, mais adulta – mesmo com essa aparência de adolescente, esbelta, sedentária e preguiçosa que não tem coragem de levantar pra dar uma caminhada. – Porque eu fui podada por você. Que, sem dó, arrancou minhas folhas. Mas, assim como acontece com as flores, quando se é podada, sempre cresce mais forte. E eu cresci. E ainda vou crescer, pra poder te olhar nos olhos, encarar e dizer um “oi” sem lembrar de uma lágrima. E ainda sair por cima. Isso não é inconveniente da minha parte. É como tomar um café com gosto amargo, engolir e ficar tudo bem.
Depois da sexta-feira veio aquele sábado pra me fazer lembrar do último final de semana em sua “ilustre presença”. Que na verdade, nunca foi lá tão ilustre assim, eu só achava porque tinha luz demais e daí fiquei cega.
Você vai me entender… O precipício alto demais. E desculpa. Eu tenho medo de altura. Eu poderia ter ido dormir, naquela sexta com cara de segunda… E sem despertador que me acordasse.


(Joyce Costa)

A gosto

Sabe aquela receita que a gente sempre encontra em um livro no fundo da gaveta do armário da avó? Pode ser uma das mais deliciosas que já se experimentou. Tem sempre no final do Modo de Preparo aquele “sal a gosto”, “açúcar a gosto” ou “tempero a gosto”, que eu sei… sempre deixa a gente p da vida na primeira vez em que vai se fazer a bendita receita. “Como vai ficar bom se não há escrito a quantidade certinha no livro?!” É o que sempre penso, querendo que tudo tenha um manual, que tudo saia conforme o planejado.
Mas e a vida?! Ela não é nos dada com “ingredientes”, “modo de preparo” e muito menos com um livro de receitas que dão certo. A gente vai buscando acertar nesse tal “a gosto”. A receita é praticamente inteira assim… um pouco de “amizade a gosto”, “simpatia a gosto”, “escolhas a gosto”, “amor a gosto”.
Já errei feio no açúcar do bolo, mas não foi tão ruim como ser doce demais na vida. As pessoas acabam confundindo doçura com outros ingredientes ao ponto de quererem pisar em você.
Sim, errei na mão, no ponto da amizade. De confidenciar segredos a alguém que não estava preparado para receber aquilo e guardar.  
Coloquei amor demais (ou de menos) onde não deveria. Porque só eu coloquei, ou deixei de pôr. Então a receita não deu certa quando a fiz sozinha.
Fiz escolhas de muitos ingredientes errados também. Mas sempre que um bolo sola, que um prato queima, a gente ri no final. E tenta de novo pra ver se dá certo. Com outras porções de açúcar. E troca alguns ingredientes. Até chegar ao ponto.
E na vida também: se não der certo, tire aprendizados dessa receita e tente de novo. Um dia você vai rir do “bolo” que deu errado. Não tente do mesmo jeito. Troque a ordem, mude os ingredientes, as doses, o modo de preparo. Até que fique “a gosto”.

(Joyce Costa)

Bem vindo, agosto!

Cansei de Monotonia


Acredito, que quando se ama, é capaz de declarar, gritar isso ao mundo. Se não o faz, não pode ser amor. Por mais que demonstre.
            Se você não veio aqui pra me fazer feliz é melhor ir embora. Mas dê adeus logo, não fique na dúvida não. Dúvidas corrompem, interrogam, instigam. E eu não quero ser mais um ponto de interrogação na sua vida.
            Dessa vez vai ser diferente. Eu sempre acho que vai ser diferente e nunca é! A gente não é igual, nem o oposto, a gente tem química, física, mas somos cheios de erros gramaticais em qualquer geografia do mundo tentando fazer história, história inventada. Eu não posso julgar de quem é o erro. Talvez seja meu e eu tente mudar, mas sou muito pequena ainda pra mudar algumas coisas. E seus erros? Você para pra pensar? Como é que consegue me fazer rir e chorar? Primeiro traz flores e logo as arranca de mim. Mas talvez pra você, isso não seja um erro, seja um dom.
            Quem sabe não são nem erros de ninguém nessa história e sejam apenas choques? Porque nós somos elétricos e nossas cargas não batem.
            Só sei que eu to cansada, to esgotada, quebrada, arranhada, amassada, pequena. Isso porque eu achei de novo que ia ser diferente e até agora é tudo igual. E cansei de monotonia da nossa parte. Se não veio me fazer sorrir, arranque logo de mim as flores, dessa vez, sem dúvidas. 

(Joyce)

Queridos leitores, pensei em criar uma coluna aqui no blog com os textos de vocês! Quer seu texto  por aqui? basta enviar um e-mail para: joyce_costa@live.com. Os melhores irão ao ar toda quarta-feira! Agradeço imensamente! 

E se pudesse voltar no tempo?


Se eu me arrependi é porque fiz a escolha errada? É o que vivo me perguntando. Mas… E se não existir essa coisa toda de escolha certa ou errada? Porque, por um ponto de vista, sempre que fazemos escolhas perdemos algo.
E esse “e se…” que nunca some das minhas interrogativas. Que vem cheio de reticências. Porque entre elas, há a possibilidade de acontecer tantas coisas. De esbarrar em tanta gente, fazer tantas escolhas, viver.
E o advérbio “às vezes”. Esse é outro que não some. De tudo que escrevo sobre você, sobre nós. Esse “às vezes” tão simples, mas tão cheio de incertezas, de dúvidas e que depende de tantas circunstâncias. Ah, se alguém me entendesse.
Se eu me arrependi de uma escolha… Será que havia outra? Foi imprevisível. E ainda é. Dizem que o tempo diz tudo, que ele mostra qual era o caminho correto (se há caminho correto…), que ele desvenda as respostas da vida. Mas por enquanto o tempo só é carregado de esperas, que demoram a eternidade e parecem nunca passar.

Fico me perguntando da onde vem essa vontade de voltar no tempo. Talvez eu até saiba, mas não admita para mim mesma. Mas “e se” voltasse? “ás vezes”, eu faria a mesma escolha. E erraria mil vezes. Ou acertaria – só o tempo vai dizer.

(Joyce)

Porque muro não substitui ponte

Depois daquela noite, em que colocamos “os pingos nos is”, que eu fui para um lado e você para o outro, ambos melancólicos. Foi como uma promessa que fiz a mim mesma não querer mais ninguém, não me entregar a ninguém, fechar meu coração de vez e jogar a chave fora. Já que, pobre coração: cansado de toda vez se abrir, pra alguém ir lá e quebrar a maçaneta.
Mas não é fácil você querer seguir sozinha sem se tornar um pouco mais fria, endurecida, e até desacreditada. O frio a qual me refiro é mais intenso dentro de mim do que lá fora. Aquele frio com direito a neve e ventania.
Às vezes, a gente dá de cara no muro. Em um muro alto e quebra a cara! Bem que já ouvi falar: “construa pontes ao invés de muros”…
Por poucas vezes como hoje, me senti distante, isolada, sozinha. Parecia que eu era de outro mundo. 
Por fim, acabei acreditando nessa história de ponte… E pensando bem, eu já “construí” tantas pontes e elas quebraram, que o jeito foi partir para o muro. Mas não dá certo. Porque muro, não substitui ponte. Como amores não substituem amizades e amizades não substituem amores. Como os pais da gente não podem nunca serem substituídos. Como jamais, ninguém vai substituir ninguém.
O pior disso tudo, é que nessa de “ninguém substituir ninguém”, uns vêm, outros vão. E o espaço dos que vão embora, fica vazio, sem ter como preencher. Por outro lado, cada um que veio, e foi também, deixou um pouco de si, seja um pouco de coisa boa ou ruim.
Resolvi não jogar fora a chave do meu coração. E voltar a construir pontes. Mesmo assim, vazio me incomoda. E enquanto “uns vêm, outros vão”, fica tanta nostalgia.
(Joyce)

Chega a algum lugar?!

“Mas eu me mordo de ciúmes” essa sim é minha música.
Não posso admitir, não devo falar, mas eu morro de ciúmes de você. Não posso tuitar, muito menos lhe falar, mas é verdade.
Não sou o tipo de garota que tem ciúme de tudo e de todos. Mas quando me apego o suficiente pra alguém significar muito pra mim, resulta nisso, ciúmes.
Ciúmes… vivem atrapalhando a minha vida. Porque é realmente perceptível. Como esconder algo tão claro?
Meu Deus, e o apego?! Queria pra mim o desapego. Desapegar de tudo e de todos seria uma boa pra mim. Desapego é como livrar pássaros aprisionados em gaiolas. Mas apego… o apego a sorrisos, abraços, jeitos, manias… eu mesmo me deixo aprisionar a partir disso.
E suas músicas favoritas… Já sei de cor. Outro apego, outros ciúmes. Ninguém pode roubá-las pra si. São suas favoritas e minhas lembranças.
Como um assunto leva a outro… ciúme, apego, desapego, música, você. As pessoas devem se perguntar: “E ela não cansa de viver falando de uma pessoa só”, de viver pensando em uma pessoa só, de viver estragando músicas por uma pessoa só, de viver sonhando, tropeçando, passando mal por uma pessoa só?!
Eu queria que cansasse, que viesse a fadiga. Que fosse como… Correr. Cansou, parou. Mesmo sem chegar lá, na linha de chegada. Queria que a fadiga fosse maior que o “gostar”, pra não dizer “amar”. Mas ainda assim, corro. Tropeço, escuto gritos me dizendo “você não vai conseguir” e mesmo assim surge uma força de vontade maior que tudo, não sei da onde. Só surge.
Mas caso a linha de chegada esteja ainda muito longe e se no fim não houver nenhum prêmio, é capaz de eu desistir, abandonar a corrida por você, abandonar o barco, a bicicleta, as músicas, seus jeitos e manias. E deixar o cansaço dominar.
Porque simplesmente não vale correr pra lugar algum.

(Por Joyce, feito há vários meses atrás)

Pra você, com amor


É isso. A gente sempre escreve para alguém, como falamos para alguém. Porque, como não faz sentido falar sozinho ou para a parede, não faz sentido escrever apenas para preencher linhas vazias.
Eu não sei o que eu escreveria neste exato momento se não fosse pra você. Se não houvesse palavras, mesmo que tortas, sem jeito, simples, estranhas… desse meu jeito sabe, que tenta fazer o melhor, mas cai sempre na mesmice.
Mas eu tento. Tento escrever coisas bonitas… sim, pra você. Porque vidas podem ter sido destruídas por essa falta de se comunicar, da necessidade antiga de escrever. De redigir.
Ah, se não que sentido faz? Não precisa me ler, não precisa nem saber que essas palavras aqui existem. Mas por favor, dê sentido a essas frases, orações, períodos. Porque aqui você é o sujeito.
Estou parecendo ridícula, quase o objeto disso tudo. Objeto direto. Sem preposição, sem impedimentos, que se doa por inteiro mas que acaba perto do ponto final, tudo o que eu menos quero nessa vida.
Como se escrever para alguém fosse fácil, mas a gente escreve… Porque não há cartas sem remetente, não há livros que são feitos destinados a prateleiras. 
Não é fácil, porque não sabemos o que os olhos querem ler, mal identificamos o que eles transmitem muitas vezes.
Mas por favor, amor. Se isso não for do seu agrado, deixe guardado. Não leia.
Mas veja, querido, foi escrito pra você, contendo o pouco de mim.

(Joyce)